
A capital maranhense vive um momento de tensão política com o protocolo de um pedido de impeachment contra o prefeito Eduardo Braide. O cerne da crise reside no prolongado conflito sobre o reajuste salarial de categorias importantes, como auditores e controladores, cujos tetos remuneratórios estão diretamente vinculados ao subsídio do Chefe do Executivo Municipal.
O pedido foi protocolado na Câmara Municipal de São Luís por um servidor de carreira da própria prefeitura, que age em concordância com o entendimento dos auditores fiscais. O grupo aponta que o prefeito teria cometido possíveis crimes de responsabilidade ao descumprir decisões judiciais que determinam a aplicação de uma nova legislação salarial.
A principal motivação do funcionalismo é a falta de reajuste salarial desde 2009. A situação se tornou insustentável após a aprovação da Lei Municipal n° 7.729/2025, que elevou o salário do prefeito de R$25 mil para R$38 mil. Embora Braide tenha vetado o projeto, o veto foi derrubado pelos vereadores da Câmara. A validade desta lei estabeleceu um novo teto salarial para os servidores de alto escalão com vencimentos atrelados ao subsídio do prefeito, mas a prefeitura resistiu em aplicá-la.
A tentativa da administração municipal de barrar a aplicação da nova lei resultou em uma série de derrotas em instâncias superiores, configurando um quadro de descumprimento judicial que fundamenta o pedido de impeachment.
As decisões judiciais que confirmaram a validade e a obrigatoriedade da aplicação da Lei 7.729/2025 incluem:
1. Rejeição de liminar no TJMA: o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) rejeitou o pleito da prefeitura e manteve a validade da Lei.
2. Manutenção do novo teto (MS): uma decisão em mandado de segurança também concedeu liminar para que a lei fosse aplicada.
3. STF (Ministro Barroso) nega reclamação: o Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do Ministro Luís Roberto Barroso, negou a Reclamação impetrada pelo Instituto de Previdência e Assistência do Município (IPAM), mantendo a decisão do TJMA.
4. STF (Ministro Flávio Dino) rejeita recurso da Semad: o Ministro Flávio Dino rejeitou uma reclamação apresentada pela Secretaria Municipal de Administração (Semad), reafirmando a obrigatoriedade de aplicação do novo teto salarial.
5. STF (Ministro Flávio Dino) nega nova reclamação do IPAM: em outro movimento, o Ministro Flávio Dino negou nova Reclamação do IPAM, reiterando que a lei segue em pleno vigor e deve ser aplicada.
6. Julgamento da ADI (TJMA): o TJMA julgou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) improcedente e confirmou definitivamente a constitucionalidade e a validade da Lei 7.729/2025, conferindo efeito vinculante à decisão.
Todas as decisões judiciais, incluindo as proferidas pelo Ministro Flávio Dino no STF que negaram recursos da prefeitura, mantiveram a validade da lei e determinaram a sua aplicação. O acúmulo de sentenças desfavoráveis e a aparente inação do Executivo em cumpri-las é o ponto da denúncia protocolada.
O pedido de impeachment, baseado em crimes de responsabilidade e descumprimento de ordem judicial, precisa agora ser analisado pela Câmara de Vereadores. A CMSL, no entanto, ainda não abriu discussão sobre o documento.
A aceitação de um pedido de impeachment exige um rito processual específico e uma maioria qualificada para o seu prosseguimento. A crise, portanto, se desloca para o campo político, onde a base de apoio do prefeito na Câmara será testada frente à pressão do funcionalismo público e o desgaste institucional gerado pelas derrotas judiciais.
Enquanto isso, a pressão aumenta na Câmara, que tem a responsabilidade de dar seguimento ao processo ou arquivá-lo, definindo o futuro político do prefeito Eduardo Braide.







