
A EDP Infraestrutura e Pavimentação, empresa controlada pelo empresário Eduardo José Barros Costa, mais conhecido como Eduardo DP, voltou a ganhar espaço no noticiário ao ser beneficiada com um aditivo milionário em Santo Antônio dos Lopes. O contrato, inicialmente firmado em 14,2 milhões de reais, saltou para 19,2 milhões em pouco mais de um mês, após decisão da gestão da prefeita Cibelle Napoleão.

A rapidez do processo chamou atenção. Em 21 de fevereiro deste ano, a Secretaria Municipal de Obras autorizou a adesão à ata de registro de preços da cidade de Codó. Três dias depois, em 24 de fevereiro, o acordo foi homologado. No dia seguinte, 25 de fevereiro, o contrato foi assinado e, em 10 de abril, já estava publicado o aditivo que elevou em 5 milhões o valor global. A justificativa apresentada pela prefeitura foi um erro no cálculo inicial do volume de material necessário para a produção e transporte do asfalto. Com isso, o custo da camada asfáltica praticamente quadruplicou, passando de 180,64 reais para 633,26 reais por tonelada.
O impacto desse reajuste é enorme para uma cidade de 14 mil habitantes. O orçamento total de Santo Antônio dos Lopes para 2025 é de 166,4 milhões de reais, dos quais 54,2 milhões foram destinados à Secretaria de Obras. O novo valor do contrato representa 35,4 por cento dessa verba e 11,5 por cento de todo o orçamento municipal. O montante também supera individualmente o orçamento de 14 das 16 secretarias do município, incluindo Educação, Saúde e Cultura.
Questionada desde o início de setembro sobre a legalidade da contratação por adesão à ata de Codó e sobre a execução do contrato, a prefeitura não respondeu. Não houve retorno sobre a existência de parecer técnico e jurídico, relatórios de fiscalização, boletins de medição ou registros fotográficos que comprovem o andamento dos serviços. No Portal da Transparência, também não há informações sobre valores empenhados, liquidados e pagos à empreiteira.
A empresa EDP Infraestrutura foi reativada em 2022 por Eduardo DP, após mais de uma década de inatividade. Antes, era registrada como Imperador Empreendimentos e Construções. Sediada em Amapá do Maranhão, a companhia é uma das poucas vinculadas ao CPF considerado verdadeiro do empresário, que chegou a usar documentos diferentes em contratos públicos e operações bancárias, segundo investigações policiais.
Eduardo DP já foi alvo do Gaeco e da Polícia Federal em operações que investigaram fraudes em licitações, corrupção, desvio de recursos públicos, uso de documentos falsos, agiotagem, lavagem de dinheiro e até envolvimento com organizações criminosas. Preso seis vezes, nunca teve condenação definitiva transitada em julgado. Hoje, mantém contratos ativos que ultrapassam meio bilhão de reais em diferentes estados, incluindo Maranhão, Tocantins, Rondônia, Goiás e São Paulo.
Além de ampliar os negócios, o empresário passou a investir em influência política. Em 2024, lançou a pré candidatura da esposa, Larissa, conhecida como Larissa DP, à Câmara dos Deputados pelo MDB. Em Santo Antônio dos Lopes, ele foi homenageado poucos meses após o aditivo milionário. Recebeu, junto com a esposa, o título de cidadão santoantoniense concedido pela Câmara Municipal. A honraria foi entregue pela própria prefeita Cibelle Napoleão e pelo primeiro cavalheiro do município, Maurício Araújo.
Eduardo DP também intensificou ações sociais e eventos em municípios onde possui contratos, como sorteio de eletrodomésticos, distribuição de cestas básicas e peixes, patrocínio de festas, vaquejadas e feiras agropecuárias. Essa estratégia vem sendo adotada principalmente em Codó, onde segundo políticos locais ele planeja construir base eleitoral para disputar a prefeitura em 2028.
Mesmo negando ser sócio formal da Construservice, empresa apontada como ligada a ele em diversas investigações, Eduardo DP já foi citado em ações judiciais e delatado por sócios como verdadeiro controlador da empreiteira. Ele mesmo admitiu a ligação com Rodrigo Casanova, engenheiro que figura como sócio no papel, mas garantiu que não há ilegalidade. O outro sócio, Adilton da Silva Costa, trabalhou por décadas como motorista da família.
A soma de contratos milionários, a proximidade com gestões municipais e os planos políticos indicam que Eduardo DP não apenas mantém espaço no cenário empresarial, como busca consolidar presença eleitoral. Em Santo Antônio dos Lopes, o silêncio da prefeitura diante dos questionamentos e a rapidez no aditivo levantam suspeitas sobre os reais interesses por trás da negociação.