
Entidade máxima do futebol mundial, a FIFA enviou uma advertência formal à Confederação Brasileira de Futebol alertando que a permanência de intervenções estatais em federações filiadas, com citação direta à Federação Maranhense de Futebol, pode resultar em sanções severas ao futebol brasileiro. O comunicado foi emitido na última segunda feira (22) e assinado por Elkhan Mammadov, diretor executivo de associações da FIFA.
No documento, a FIFA afirma que o Brasil corre risco de suspensão de competições internacionais organizadas pela entidade, como a Copa do Mundo, caso decisões judiciais continuem violando a autonomia das entidades desportivas. A advertência tem como base os artigos 14 e 19 do estatuto da FIFA, que determinam que associações membros devem administrar seus assuntos de forma independente, sem interferência de terceiros, inclusive do Poder Judiciário.
Diante da pressão internacional, a CBF protocolou petição junto à Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís solicitando a realização imediata de uma audiência de conciliação. A iniciativa busca cumprir uma medida cautelar do Supremo Tribunal Federal e construir um cronograma seguro para o encerramento da intervenção judicial na FMF.
A defesa da autonomia desportiva é sustentada por três pilares legais. O estatuto da FIFA impõe gestão independente às associações. O estatuto da CBF, em seu artigo 18, inciso XI, obriga federações filiadas a administrarem seus assuntos sem ingerência externa. Já a Constituição Federal, no artigo 217, garante autonomia às entidades desportivas quanto à sua organização e funcionamento.
Há pouco mais de uma semana, a CBF e o deputado estadual Yglésio Moyses protocolaram pedidos ao juiz Douglas de Melo Martins solicitando urgência na marcação da audiência de conciliação determinada pelo ministro Flávio Dino, do STF. O objetivo é assegurar a regularidade do calendário esportivo maranhense para a temporada de 2026. Atualmente, a FMF é comandada pela interventora Susan Lucena.
Em sua manifestação, a CBF afirma que, apesar da reputação ilibada de Susan Lucena, ela não integra os quadros das entidades de administração do futebol e não possui experiência prévia no setor, o que pode causar prejuízos graves diante da proximidade das competições oficiais.
A entidade aponta como urgentes a captação de patrocínios esportivos, a interlocução com a CBF para repasses e projetos destinados aos clubes, a condução do conselho técnico e a submissão de regulamentos e tabelas com antecedência mínima de 60 dias. A ausência de regulamentos atualizados pode resultar no não reconhecimento do Campeonato Maranhense de 2026, prejudicando clubes com a perda de vagas em competições como Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Série D.
A FIFA também alerta que a situação da FMF e da Federação de Futebol do Piauí compromete a estabilidade institucional do futebol brasileiro, podendo levar à suspensão de clubes e da própria Seleção Brasileira de torneios internacionais.
A intervenção na FMF teve origem em uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Maranhão, que apontou supostas irregularidades como falta de transparência, gestão temerária e vícios em assembleias. Em agosto, o juiz Douglas de Melo Martins afastou 17 dirigentes da FMF e do Instituto Maranhense de Futebol e nomeou Susan Lucena como administradora provisória.
A decisão foi questionada no STF pelo presidente afastado da FMF, Antônio Américo. Em medida cautelar, o ministro Flávio Dino manteve a intervenção, mas determinou a realização de audiência de conciliação até março de 2026, com participação da CBF, do MPMA, de Antônio Américo e da interventora, visando o encerramento gradual da intervenção e a normalização institucional da entidade.
No mesmo despacho, Flávio Dino estabeleceu que Susan Lucena deve se limitar aos atos de gestão ordinária, sem promover reformas estatutárias ou convocação de eleições, devendo ainda apresentar relatório detalhado das irregularidades encontradas.
Informação do jornalista Domingos Costa.





