
A Polícia Federal deflagrou nesta semana a Operação Rejeito que desarticulou um amplo esquema de corrupção e fraudes envolvendo órgãos estratégicos da mineração no Brasil. Ao todo foram cumpridos 22 mandados de prisão e 79 de busca e apreensão em diferentes estados.
Entre os alvos está Caio Mário Trivellato Seabra Filho diretor da Agência Nacional de Mineração e Rodrigo de Melo Teixeira diretor de Administração e Finanças do Serviço Geológico do Brasil. O SGB é comandado por Inácio Cavalcante Melo Neto marido da senadora maranhense Eliziane Gama responsável pela indicação dele ao cargo. Rodrigo Teixeira é descrito como braço direito de Inácio e teria atuado diretamente para beneficiar empresários ligados ao setor de mineração.

As investigações também apontam o empresário Alan Cavalcante do Nascimento como líder do grupo criminoso. Ele é acusado de comandar um esquema de extração irregular de minério de ferro com atuação inclusive em áreas protegidas e tombadas como a Serra do Curral em Belo Horizonte. O grupo teria ainda fraudado licenças ambientais e subornado servidores públicos para obter vantagens indevidas.
De acordo com a Polícia Federal a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente 1 bilhão e 500 milhões de reais em bens dos investigados. Além disso foram identificados projetos de mineração ligados ao grupo com potencial econômico de 18 bilhões de reais. Servidores públicos suspeitos de envolvimento foram afastados de suas funções por decisão judicial.
Rodrigo de Melo Teixeira que já foi delegado da Polícia Federal e ocupou a superintendência do órgão em Minas Gerais tornou se peça chave na investigação por sua ligação direta com Inácio Cavalcante Melo Neto. A prisão dele coloca sob pressão a cúpula do Serviço Geológico do Brasil e amplia os reflexos políticos do caso uma vez que o presidente do SGB é casado com a senadora Eliziane Gama.