Othelino Neto cobra tablets para alunos mas esquece da farra dos iPhones na sua gestão

O deputado estadual Othelino Neto subiu hoje à tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão para elogiar a iniciativa do governo estadual de distribuir 250 mil tablets aos alunos da rede pública. Segundo ele, o programa tem como objetivo melhorar a qualidade do estudo e dar suporte tecnológico aos estudantes maranhenses, que enfrentam inúmeras dificuldades no acesso à educação digital. De fato, trata-se de uma ação importante, que pode auxiliar no processo de aprendizagem e na inclusão tecnológica de milhares de jovens.

No entanto, o discurso de Othelino soa, no mínimo, hipócrita quando lembramos de sua própria gestão à frente da Assembleia Legislativa. Em janeiro de 2017, a AL-MA foi pressionada a cancelar um processo licitatório que previa a compra de dezenas de iPhones e aparelhos de luxo para os deputados estaduais, em um gasto milionário que em nada beneficiaria a população. O escândalo ganhou repercussão negativa e a Casa foi obrigada a voltar atrás diante da indignação popular. O curioso é que, naquela ocasião, não se falava em investimento em tecnologia para estudantes ou em ações que pudessem transformar a vida de jovens carentes. O objetivo era outro: atender ao conforto de parlamentares com aparelhos de última geração pagos com dinheiro público.

Agora, anos depois, Othelino tenta se colocar como defensor da educação e da modernização tecnológica, cobrando do governo estadual a entrega dos tablets. É claro que a iniciativa do governador merece reconhecimento, mas soa contraditório ouvir elogios de quem, no passado, não teve a mesma sensibilidade com o uso dos recursos públicos.

A memória do povo não pode ser curta. Othelino pode até subir à tribuna para tentar surfar em um projeto positivo, mas não pode apagar os episódios de desperdício e tentativas de privilégios que marcaram sua gestão. O discurso de hoje, portanto, revela muito mais oportunismo do que compromisso real com a educação dos maranhenses.

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